A consciência
A Maria Papoila nasceu numa pequena cidade.
Tínhamos 16 anos quando a Bibi me confidenciou que desconfiava que estava grávida.
O namorado trabalhava nas obras fora da terra e ela não tinha ninguém que lhe comprasse um teste de gravidez. A terra era pequena e ela seria certamente reconhecida por qualquer farmacêutico. O problema é que eu também seria reconhecida e a minha mãe não ia gostar de saber que eu andava a comprar testes de gravidez aos 16 anos. O mesmo se passava se quiséssemos comprar contraceptivos.
Então, pedi ao meu melhor amigo que fosse à farmácia. O teste deu positivo e a Bibi ficou feliz. Admirei-lhe a coragem e o acto de amor. Casou 3 meses depois e teve uma filha linda. A Bibi era boa aluna, apesar das dificuldades com que os pais viviam e de ir a pé para a escola todos os dias. Apesar de não ter computador, nem um canto sossegado em casa para estudar. A Bibi tinha um grande futuro pela frente, queria ser advogada e estou certa de que o teria sido. E das boas. Agora é empregada de balcão. É feliz e já tem outra filha.
Mais ou menos na mesma altura, soubemos que outra colega da escola, com a mesma idade que nós, estava grávida. Essa colega era uma aluna média, tinha nascido numa família abastada e optou por ir abortar a Inglaterra. Quando se soube da sua opção, através de uma “amiga” que não sabia guardar segredos, a rapariga foi criticada. A notícia fez as más línguas rejubilar. A família da rapariga mudou-se para uma cidade próxima e maior. Ela foi para a faculdade. Tirou um curso superior, tem um bom emprego e é feliz.
Foram duas opções de vida completamente diferentes. Não tenho moralidade nem autoridade para criticar nenhuma das raparigas. As acções ficam com quem as pratica e cada um sabe o que é melhor para si.
Por isso é que a Papoila vai votar sim no referendo que se avizinha. Pela liberdade de optar.
Independentemente daquilo que a minha consciência possa ditar, eu não sou o “Grilo Falante” e não posso ser a consciência de ninguém.
Tínhamos 16 anos quando a Bibi me confidenciou que desconfiava que estava grávida.
O namorado trabalhava nas obras fora da terra e ela não tinha ninguém que lhe comprasse um teste de gravidez. A terra era pequena e ela seria certamente reconhecida por qualquer farmacêutico. O problema é que eu também seria reconhecida e a minha mãe não ia gostar de saber que eu andava a comprar testes de gravidez aos 16 anos. O mesmo se passava se quiséssemos comprar contraceptivos.
Então, pedi ao meu melhor amigo que fosse à farmácia. O teste deu positivo e a Bibi ficou feliz. Admirei-lhe a coragem e o acto de amor. Casou 3 meses depois e teve uma filha linda. A Bibi era boa aluna, apesar das dificuldades com que os pais viviam e de ir a pé para a escola todos os dias. Apesar de não ter computador, nem um canto sossegado em casa para estudar. A Bibi tinha um grande futuro pela frente, queria ser advogada e estou certa de que o teria sido. E das boas. Agora é empregada de balcão. É feliz e já tem outra filha.
Mais ou menos na mesma altura, soubemos que outra colega da escola, com a mesma idade que nós, estava grávida. Essa colega era uma aluna média, tinha nascido numa família abastada e optou por ir abortar a Inglaterra. Quando se soube da sua opção, através de uma “amiga” que não sabia guardar segredos, a rapariga foi criticada. A notícia fez as más línguas rejubilar. A família da rapariga mudou-se para uma cidade próxima e maior. Ela foi para a faculdade. Tirou um curso superior, tem um bom emprego e é feliz.
Foram duas opções de vida completamente diferentes. Não tenho moralidade nem autoridade para criticar nenhuma das raparigas. As acções ficam com quem as pratica e cada um sabe o que é melhor para si.
Por isso é que a Papoila vai votar sim no referendo que se avizinha. Pela liberdade de optar.
Independentemente daquilo que a minha consciência possa ditar, eu não sou o “Grilo Falante” e não posso ser a consciência de ninguém.
4 Comments:
At 5/2/07 14:16,
Anónimo said…
Já agora, como se chama essa "pequena cidade" ?
At 5/2/07 15:29,
Anónimo said…
"Senhores juristas, quando se fala em SUPERIOR interesse, a palavra SUPERIOR, deve querer dizer alguma coisa, não?
Quando estão em causa crianças, a justiça não pode ser cega..."
VocÊ o disse...
At 5/2/07 16:46,
Maria Papoila said…
Caro Carneiro:
Julgo que conhece muito bem a pequena cidade em questão, mas sempre lhe posso enviar um mapa para lá chegar!
Caro anónimo:
A minha mãezinha ensinou-me que não se fala com desconhecidos, por isso só lhe respondo quando tiver nome, mesmo que falso. Obrigada pela visita.
At 16/2/07 02:11,
Anónimo said…
parabéns pela pela forma como abordas o tema... aliás... todos os temas que já li por aqui :)
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