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Teorias

A Maria Papoila é a típica portuguesa, que tal como todos os bons portugueses tem sempre uma teoria acerca de tudo e de todos e não vê mal algum em impingir as suas opiniões aos mais desprevenidos...

domingo, junho 26, 2005

Marcha gay

Não posso deixar de fazer alguns comentários a propósito da marcha gay de ontem:
Em primeiro lugar assumo aqui que, apesar de ser hetero, não posso deixar de apoiar a maioria das reivindicações dos gays e lésbicas portugueses. Se eles querem ter o direito de passar para o papel as suas relações, porque não? Afinal, isso não irá prejudicar ninguém e o facto de não poderem casar não vai impedir que existam casais do mesmo sexo! É a hipocrisia do costume...
Quanto à adopção de crianças por casais homossexuais, até entendo aquelas pessoas que são contra, mas fico a pensar o que será melhor: uma criança criada com amor, numa família (mesmo que nada convencional), usufruindo de boas condições económicas ou uma criança que fica até à idade adulta numa instituição, sem carinho, onde por vezes não passa de um número e que, por aquilo que se vê ultimamente, estará provavelmente sujeita a abusos dos mais variados, até mesmo sexuais?
O “trauma” de ter de se confrontar com os amigos por ter dois pais ou duas mães não deve ser pior que o trauma de simplesmente não ter família!
Mas isto é assunto que “dá pano para mangas” e um post há-de nascer sobre este assunto específico!

Quanto à marcha de ontem, devo dizer que gostei de ver as madrinhas e “madrinhos” heterossexuais a acompanhar a manifestação, embora me perguntasse onde estavam os homossexuais famosos deste país. Como todos sabemos, existem homossexuais em todos os quadrantes da sociedade, pelo que não se entende que nenhuma figura conhecida do ”grande público “ (como dizia o outro) assuma claramente a sua condição e a sua opção homossexual! Fica aqui também um reparo aos senhores jornalistas: eu entendo que vocês trabalhem para as audiências, mas numa marcha gay a maioria dos participantes não são drag queens e travestis, são pessoas normais , que trabalham nos bancos, nas repartições públicas, em restaurantes, nas escolas, enfim, até mesmo nos mídia! A informação é essencial para a educação cultural e social de um país, por isso, senhores repórteres, façam o favor de dar um bom contributo!

sexta-feira, junho 24, 2005

O nacional derrotismo

Ontem foi a noite de S. João. Não fui para a confusão da festa, mas estive num jantar de aniversário a comer sardinhas e a dar marteladas. Entre as várias conversas cruzadas surgiu o tema do estado do nosso país. Uma dessas conversas tinha como tema o pódio conseguido por Tiago Monteiro no fim de semana passado e o desporto em geral em Portugal.
Essa conversa ilustrou uma vez mais o espírito derrotista da maioria dos portugueses. É que apesar de Tiago Monteiro ter conseguido o que conseguiu, os insatisfeitos do costume não deixaram de minimizar essa vitória e de rir do facto de só existirem meia dúzia de corredores. Resumindo, se fossemos espanhóis, todo o país estaria ansioso por ver a próxima corrida de Tiago, mas sendo portugueses não conseguimos deixar de criticar um dos nossos.
Assim se espelha um dos defeitos mais recorrentes dos lusitanos: tudo o que é nosso não presta, ou tem uma qualidade inferior, ou não interessa a ninguém.
Porquê que isto acontece? Inveja do sucesso alheio? Pura velhacaria? Será genético e descendemos todos do Velho do Restelo?
Enquanto este tipo de mentalidade não for substituído por aquilo que dá pelo nome de Orgulho Nacional, acredito que o país não irá a lado nenhum.
Deixo a questão: como incutir à população portuguesa este tipo de espírito permanentemente?

terça-feira, junho 21, 2005

Mal educados...

Suponho que a greve dos professores nos deve fazer parar para pensar na situação da educação em Portugal. Parece-me lógico afirmar que nenhum país chega à situação em que o nosso se encontra apenas por razões económicas. A educação está na base de tudo e não é novidade para ninguém que quanto mais instruídos e informados os cidadãos, mais possibilidades existem de caminharmos para uma sociedade próspera e bem estruturada.(é claro que isto é tudo um monte de lugares comuns, mas nunca é demais repetir!)
Os dois pólos do sistema educativo são, sem dúvida, os alunos e os professores.
Começo pelos professores: há no nosso país milhares de licenciados (muitos deles são realmente bons no que fazem!) que todos os anos passam pela experiência stressante de não saberem se vão conseguir um horário completo, se vão leccionar a 500 km de casa, ou pior, se não vão conseguir colocação. Deste ponto de vista, os professores são vítimas, o que faz com que no fim, os alunos acabem por pagar a factura: professores necessariamente desinteressados, desmotivados e stressados não podem transmitir mais do que tudo isto aos próprios alunos!!
De um outro ponto de vista, não podemos esquecer que também existem aquelas pessoas que dão aulas, mas não são verdadeiros professores, já que (digo eu), para se ser professor é preciso ter talento, sob pena de, não o tendo, causar estragos irreparáveis!
Quanto aos alunos: todos os anos assistimos ao espectáculo degradante do anúncio das notas dos exames nacionais cujas notas são vergonhosas, especialmente no que toca à Matemática e ao Português! A culpa não será , como já disse, toda dos alunos, mas parece-me que com o passar dos anos, os alunos esperam cada vez mais “facilidades” nos seus percursos. Acho que existe aqui uma enorme falta de vergonha!! Falta de vergonha de todos nós... Nos países de leste, é vergonhoso para qualquer aluno tirar uma negativa!! Aposto que nenhum aluno de leste se atreve a “gozar” o professor, a desobedecer-lhe, ou sequer a “responder-lhe”. O nosso problema reside dentro das nossas casas. Não defendo a velha figura do pai repressivo, mas que se imponham alguns limites que vêm sendo esquecidos nos últimos anos e que são realmente necessários para que possamos crescer (em todos os sentidos).
Assim, e para que não digam que eu sou mesmo a típica portuguesa que só critica e não aponta nenhum caminho novo, cá vão algumas ideias:
- Maior estabilidade a nível das colocações dos professores (beneficia os próprios, mas especialmente os alunos);
- Programas mais completos e mais exigentes(ponham os olhos nos nossos vizinhos);
- Ensino direccionado à utilização correcta das novas tecnologias com vista à valorização pessoal.
- etc,etc...

segunda-feira, junho 20, 2005

A Velha Crise

Pessoalmente, começo a ficar farta de ouvir falar na “crise” a torto e a direito.
Pensando bem, não me lembro de um ano que tenha passado sem ouvir falar na “crise” em Portugal. Então, só posso concluir que a crise está instalada no nosso país desde há muito tempo. De tal forma, que a própria palavra “crise” é já uma das palavras mais vulgares do nosso quotidiano, chegando ao ponto de perder o seu verdadeiro significado e até o seu espírito! Isto só faz com que os portugueses, apesar de estarmos agora numa verdadeira crise, ainda não tenham assimilado o seu real significado (digo eu!). É que se já tivéssemos percebido o quão grave é esta crise talvez estivéssemos agora mesmo a sair dela!
Eu explico: Os Portugueses, aquele povo de quem todos falamos como se habitassem do outro lado do planeta, apesar de quase todos os dias não mexerem uma palha em prol dos outros(e muitas vezes nem em benefício próprio), conseguem quase sempre reagir a determinados estímulos de uma forma extraordinária e surpreendente, até para si próprios! Acho que não é preciso lembrar, mas de qualquer forma cá vai: a Expo98, a manifestação “branca” por Timor, o Euro2004 e a mais discreta ajuda às vítimas do tsunami.
Tudo isto, meus amigos, deveria ser não só motivo de orgulho de actos passados (tal como os Descobrimentos), mas poderia ser utilizado como motor de uma vontade nacional em ir mais longe, fazer cada dia melhor e claro, sair da crise!!!

quarta-feira, junho 15, 2005

A Lenda Cunhal

Quer sejamos comunistas ou não, quer concordássemos ou não com as suas ideologias, julgo que Álvaro Cunhal não deixou ninguém indiferente. Hoje, o "camarada" faz a sua última viagem pelas ruas de Lisboa, acompanhado de vermelho, muito vermelho, nas bandeiras, nas roupas e nos cravos. Nesta caminhada acompanham-no milhares de pessoas, gente importante, mas também o povo (creio que muitos não são comunistas). Daqui a alguns anos, acredito que os jovens de então nos perguntarão se este homem existiu. Não digo isto de forma pejorativa, já que na minha opinião, homens assim só voltaremos a ver nos romances: inteligente, abnegado, heróico, patriótico,misterioso,apaixonado, fiel a si mesmo e aos seus ideais até ao fim.
Depois de ver tanta gente nas ruas, deixo aqui a questão: estará este nosso país tão longe quanto parece de 1974?

terça-feira, junho 14, 2005

O Dia de Eugénio

Na data em que Eugénio de Andrade se une finalmente ao pó e à terra que sempre amou, fica aqui o meu desejo de que volte um dia, em forma de gato, de tília ou de fruto.
SILÊNCIO!
"As Palavras estão gastas. Adeus."